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História, 18.02.2019 08:47 julliagatinhappan90k

Otrecho abaixo é do livro de angela davis, mulheres, raça e classe:

elizabeth cady stanton e susan b. anthony concordavam com os abolicionistas radicais, que diziam que o fim da guerra civil poderia ser precipitado por meio da emancipação da população escrava e de seu alistamento no exército da união. elas tentaram reunir um número massivo de mulheres em torno dessa posição, lançando uma convocação para que fosse organizada a liga das mulheres pela lealdade. no encontro inaugural, centenas de mulheres concordaram em promover o esforço de guerra, fazendo circular petições pela emancipação da população escrava. elas não foram unânimes, contudo, em sua reação à resolução proposta por susan b. anthony de associar os direitos das mulheres à libertação do povo negro.
a resolução proposta afirmava que nunca haveria paz verdadeira na república até que fossem reconhecidos na prática “os direitos civis e políticos de todos os cidadãos de descendência africana e de todas as mulheres”. infelizmente, considerando os desdobramentos do pós-guerra, parece que essa resolução havia sido motivada pelo medo de que as mulheres (brancas) fossem deixadas de lado quando as pessoas escravizadas aflorassem sob a luz da liberdade. contudo, angelina grimké propôs uma defesa principista da unidade entre a libertação negra e a libertação feminina: “quero ser igualada ao negro”, ela insistia. “até que ele tenha seus direitos, nós nunca teremos os nossos”.
alegro-me imensamente que a resolução nos una ao negro. sinto que estivemos com ele; que o ferro entrou em nossa alma. verdade, nós não sentimos o açoite do senhor de escravos! verdade, não tivemos nossas mãos algemadas, mas nosso coração foi arrasado.
nessa convenção de fundação da liga das mulheres pela lealdade – para a qual todas as veteranas da campanha abolicionista e do movimento pelos direitos das mulheres foram convidadas –, angelina grimké, como de hábito, propôs a interpretação mais inovadora da guerra, que ela descreveu como “nossa segunda revolução”:
“a guerra não é, como o sul falsamente alega, uma guerra de raças, nem de setores, nem de partidos políticos, mas é uma guerra de princípios, uma guerra contra as classes trabalhadoras, brancas ou negras . nessa guerra, o homem negro foi a primeira vítima, o trabalhador de qualquer cor, a seguinte; e agora todas as pessoas que defendem os direitos ao trabalho, à liberdade de expressão, às escolas livres, ao sufrágio livre e a um governo livre são levadas a participar da batalha em defesa desses direitos ou a sucumbir com eles, vítimas da mesma violência que, por dois séculos, manteve o homem negro como prisioneiro de guerra. enquanto o sul travou essa guerra contra os direitos humanos, o norte esteve a postos para deter aqueles que apedrejavam a liberdade até a morte . a nação está em uma luta de vida ou morte. ou ela se tornará uma imensa escravocracia de pequenos tiranos, ou realmente a terra dos livres .”

(davis, angela. mulheres, raça e classe. são paulo: boitempo, 2016, p. 76-77))

a partir do texto apresentado é correto afirmar que:

escolha uma:
a.
ao afirmar “a nação está em uma luta de vida ou morte”, angelina grimké se refere à luta das mulheres negras contra as condições de trabalho dos eua durante a guerra civil.

b.
ao longo da história dos eua, não foi possível integrar o negro à sociedade de classes, dada a ação de grupos femininos.

c.
a guerra civil nos eua não tinha como um de seus dilemas principais a questão racial, mas militantes – como os descritos acima – utilizaram o conflito para popularizar a pauta abolicionista.

d.
ao afirmar que as participantes da liga das mulheres “não foram unânimes, contudo, em sua reação à resolução proposta por susan b. anthony de associar os direitos das mulheres à libertação do povo negro”, davis mostra como a luta contra o racismo e o machismo não podem se articular em suas diferentes pautas.

e.
ao afirmar “até que ele tenha seus direitos, nós nunca teremos os nossos”, angelina grimké relaciona a libertação dos negros e o direito civil das mulheres.

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Outra pergunta: História

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História, 15.08.2019 01:00
1)-"acerca do fascínio exercido pelos espetáculos de sangue na arena, muitos romanos afirmavam que eles inspiravam um nobre desprezo pela morte. mas é possível interpretar esses espetáculos como um ritual que reafirmava o poder e a autoridade do estado romano. os gladiadores, por exemplo, eram indivíduos sem direitos, marginalizados ou condenados por subversão da ordem pública. ao executá-los em público, o povo romano reunido celebrava a sua superioridade e o seu direito de dominar" a)-explique por que os cristãos foram perseguidos em nome da ordem publica romana.
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História, 15.08.2019 00:48
Qual foi importância histórica das ideias e do nicolau maquiavel para a época? me ajudem e para um
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História, 15.08.2019 00:45
Descreva as funções dos principais magistrados da roma antiga e os da república federativa do brasil se há diferenças ou semelhanças.
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História, 15.08.2019 00:37
As máquinas a vapor foram importantes para as mudanças que ocorreram na europa durante a revolução industrial. comente como essa invenção afetou diferentes meios de transportes​
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Otrecho abaixo é do livro de angela davis, mulheres, raça e classe:

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