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Português, 16.02.2021 20:10 paulricar0

ME AJUDEM POR FAVOR Um apólogo
      Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
    — Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
     — Deixe-me, senhora.
    — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
   — Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
    — Mas você é orgulhosa.
    — Decerto que sou.
    — Mas por quê?
  — É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
   — Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
    — Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
   — Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando...
   — Também os batedores vão adiante do imperador.
   — Você é imperador?
   — Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
    Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. 
   Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
    — Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima. 
      A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
       Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
      — Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
      Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
   — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
     Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: 
      — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

01. A literatura Machadiana não se omite, quando a temática é a mazela humana. A sua posição literária destaca-se como realista, considerando o texto o Apólogo,  por que:
a) Faz o seu leitor pensar que as consequências das ações humanas são injustas com o ser humano, uma vez que este não tem culpa pelo que acontece.
b) Nas entrelinhas da sua literatura, não fica estimulado no leitor o porquê da humanidade se reduzir a sentimentos de antropocentrismo, de cultivo ao capitalismo e de sujeição à bajulação.
c) Em um tom de sarcasmo, Machado de Assis consegue repassar para a sociedade o retrato do que esta é: psicologicamente fragmentada, covardemente tomada pelos sentimentos de posse, de presunção, de glamour.
d) Ao idealizar o homem, Machado permite ao leitor, a percepção de que a humanidade está em colapso.
e) Com uma escrita refinada, o realismo, nas palavras de Machado, prima em focar na desenvoltura da “arte pela arte”, omitindo-se da denúncia incisiva e reflexiva.

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Outra pergunta: Português

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Português, 15.08.2019 01:08
Por favor fasao um texto falando sobre a lei maria da penha por favorzinho​
Respostas: 1
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Português, 15.08.2019 00:59
Crie um texto de no mínimo 17 linhas com estas palavras: < br /> < br /> direitos, participação, fraternidade, justiça social, igualdade,protagonismo, solidariedade,bem comum, responsabilidade< br /> ​
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Português, 15.08.2019 00:46
Quais situações a tecnologia não pode reproduzir​
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Português, 15.08.2019 00:32
Ao relatar a viagem que fazia para olinda, a narradora diz: "atravessar a cidade escura mealgo que jamais tive de novo". por que, na sua opinião, atravessar a cidade escura era alenmarcante para a menina? ​
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Você sabe a resposta certa?
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      Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
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